Quando Vier a Primavera
Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.
Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma
Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.
Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.
Alberto Caeiro
terça-feira, março 21, 2006
Dia da Poesia, Início da Primavera
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6 comentários:
genialidade, mal batência...
Viva o ópio!
viva o k ele quiser, um dos grandes...
fernando "peça"
queria votar em otacílio.
a caixa está fechada, votei o mais parecido com esse:
claudiomiro
alberto cagueiro
Berto Cagueiro!!!
Berto Cargueiro!
Berto Paneleiro!
AAAAAAAHHHHHHHH,AH,AH,AH,AH!!!!!!
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